Mel de Capanema é a 29.ª Indicação Geográfica do Paraná e movimenta o turismo na região

O Paraná acaba de consolidar ainda mais sua posição de destaque nacional ao conquistar o seu vigésimo nono selo de Indicação Geográfica (IG). O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu a certificação ao tradicional mel produzido no município de Capanema, localizado no Sudoeste do estado. Com essa nova conquista, o território paranaense reforça a liderança isolada no país em número de produtos reconhecidos com essa distinção de qualidade e origem.

A força da Denominação de Origem

O reconhecimento oficial foi concedido na modalidade Denominação de Origem (DO). Essa categoria atesta que as características singulares e a excelência do produto decorrem exclusivamente de fatores naturais e humanos peculiares àquela área geográfica específica. A atividade apícola na região possui mais de meio século de história e está profundamente enraizada na agricultura familiar. O processo de obtenção do selo foi liderado pela Associação de Apicultores de Capanema e Região (Apic).

O diferencial desse mel está na interação direta das abelhas com a flora nativa da Mata Atlântica. Esse ecossistema encontra-se rigorosamente preservado dentro dos limites do Parque Nacional do Iguaçu, na faixa de fronteira entre o Brasil e a Argentina. Atualmente, os apicultores associados mantêm em funcionamento aproximadamente cinco mil colmeias, gerando uma colheita anual de sessenta toneladas do produto. Além de abastecer o mercado regional e o entorno do parque, a mercadoria é escoada para grandes centros como São Paulo e Rio Grande do Sul.

Turismo e valorização cultural

A chegada do registro oficial abre portas promissoras para a expansão da atividade turística na região do Sudoeste paranaense. A novidade atrai visitantes interessados em conhecer de perto os apiários e a rotina de extração.

“A Indicação Geográfica tem tudo a ver com o turismo, porque ela representa o senso de pertencimento regional e traz visibilidade aos produtos típicos dos nossos municípios. Isso aconteceu com Antonina e suas balas de banana, por exemplo, transformando aquele produto em parte de um passeio, agregando valor a um roteiro e criando senso de pertencimento na cidade, que reconhece a sua cultura local naquele item”, afirma Irapuan Cortes, diretor-presidente do Viaje Paraná.

Experiências nos apiários locais

Diferentes produtores locais já estruturam roteiros turísticos para diversificar a renda familiar e divulgar o trabalho realizado. A iniciativa transforma o manejo das colmeias em uma verdadeira atração pedagógica e cultural.

“Durante as visitações proporcionamos acompanhamento técnico aos visitantes em apiários locais. As pessoas podem conhecer como é feito o processo de extração do mel, conhecer as colmeias, e o tratamento do produto. Já fazemos parte da rota turística do município e a tendência é que com a Indicação Geográfica essa atividade seja cada vez mais ampliada”, explica Cleiton Lagemann, presidente da Associação de Apicultores de Capanema e Região.

“É uma atividade que pode ajudar na renda de muitas famílias e produtores, então vale a pena investir no turismo. No nosso caso, estamos nos preparando para ampliar essa oferta turística, porque é um passeio diferente, que transmite conhecimento através de uma produção local”, conta Salete Manchini, proprietária do Apiário Manchini.

Paraná como potência apícola

O estado mantém números expressivos no cenário agrícola brasileiro. Conforme dados da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (SEAB), o Paraná figurou como o segundo maior produtor de mel do país em 2025, alcançando marca superior a dez mil toneladas. No aspecto financeiro, o mercado paranaense liderou o ranking nacional ao movimentar cifras expressivas, respondendo por quase um quinto de todo o valor gerado no país.

No quesito qualidade atestada pelo INPI, o estado agora totaliza quatro tipos de mel certificados. Integram essa lista o mel de Ortigueira, o mel do Oeste do Paraná, parte do mel de melato da Bracatinga do Planalto Sul do Brasil e, agora, o mel de Capanema. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) desempenha papel fundamental ao prestar suporte aos produtores locais na busca por essas certificações.

Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, explica que o reconhecimento da Denominação de Origem valida o padrão técnico e a identidade do Mel de Capanema. “Para os pequenos produtores e para a agricultura familiar da região, esse registro fortalece a organização produtiva, protege a procedência no mercado e abre canais comerciais com compradores que exigem conformidade e diferenciação comprovadas”, diz.

Por Redação Acontece

Foto: Divulgação/Apic

By