Um registro em vídeo da cheia histórica de junho de 2014 nas Cataratas do Iguaçu, localizadas em Foz do Iguaçu, no oeste paranaense, evidencia a impressionante força da água que quase ocultou totalmente o caminho usado pelos visitantes para contemplar as quedas. Naquela ocasião, a vazão atingiu cerca de 46 milhões de litros por segundo, superando em mais de 30 vezes a média histórica de 1,5 milhão de litros por segundo. O tema voltou a ganhar repercussão recentemente com novas elevações no volume hídrico da região.
A engenharia por trás da resistência estrutural
A capacidade da passarela de suportar volumes tão expressivos de água reside em suas fundações profundas, fixadas diretamente na rocha que forma o leito do Rio Iguaçu. Erguida na década de 1990, a estrutura atual emprega a técnica de estaca-raiz, método que consiste em perfurações preenchidas com estruturas metálicas e cimento injetado sob alta pressão.
“A estaca-raiz é uma estaca que faz embutimento na rocha e isso faz com que ela absorva grandes esforços. É um tipo de fundação que nós utilizamos em várias outras obras em Foz do Iguaçu”, explicou Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo.
O desafio do desvio do Rio Iguaçu
O projeto atual substituiu uma versão anterior inaugurada em 1970, que acabou destruída por uma enchente na década de 1980 e reconstruída nos anos seguintes. Para viabilizar a implantação das novas bases de sustentação nos anos 90, os engenheiros precisaram executar o desvio temporário do curso d’água.
“Durante a execução da obra, foram pelo menos duas enchentes similares a essa. Em uma delas, a gente perdeu equipamentos, obviamente nunca mais encontramos. Mas a parte de concreto ficou absolutamente intacta”, afirmou Márcio Marcon, engenheiro envolvido na execução do projeto.
Monitoramento contínuo e protocolos de segurança
A integridade da estrutura recebe avaliações regulares por meio de vistorias técnicas e equipamentos de precisão milimétrica, chamados prismas, que avaliam eventuais movimentações nos pilares.
“Desde que a gente assumiu, que a gente começou a fazer esse monitoramento, nunca teve nenhuma alteração, nem que seja milimetricamente”, garantiu André Franzini, gerente de sustentabilidade da concessionária responsável.
Além disso, protocolos preventivos determinam a retirada das grades metálicas e o fechamento do acesso aos turistas sempre que a vazão do rio ameaça ultrapassar os limites seguros, reduzindo a retenção de detritos e a pressão exercida pela correnteza.
Por Redação Acontece
Reprodução/RPC
