'Como que todo mundo errou?': idosa que teve prótese implantada no joelho errado questiona atuação de equipe médica durante cirurgia no Paraná

A aposentada Marilda da Silva, de 72 anos, retornou ao Hospital da Cruz Vermelha, na capital paranaense, para iniciar seu acompanhamento médico após passar por uma cirurgia na qual uma prótese foi implantada no membro incorreto. O procedimento deveria ter corrigido problemas decorrentes de uma artrose no lado esquerdo, mas a intervenção acabou ocorrendo no lado direito da paciente.

O relato da paciente sobre a cirurgia

A intervenção cirúrgica aconteceu no final de setembro, após toda a bateria de exames e a emissão dos documentos necessários que especificavam a artroplastia no membro esquerdo. A idosa relatou que tentou alertar os profissionais no momento em que entrou no centro cirúrgico. “Quando eu sentei na mesa de cirurgia, eu ainda falei: ‘é a perna esquerda’, porque eles não marcaram, né? ‘É a perna esquerda!’. Mas, mesmo assim, eles fizeram na perna direita. Depois eu só lembro que eu pus a minha mão e vi que eles tinham operado errado. Daí eu gritei com eles, eu falei ‘vocês fizeram a cirurgia errada, meu Deus do céu, o que é isso?’. E ela [pessoa da equipe médica do hospital] falou ‘calma, dona Marilda, tá tudo bem, a sua família já tá sabendo, tá tudo certo'”, explicou a paciente.

Visivelmente abalada com a situação, a idosa questionou a falta de atenção coletiva durante o procedimento na capital. “Eu espero que seja feita justiça, para que não aconteça com outras pessoas o que aconteceu comigo. Porque isso aí é muito marcante, é uma coisa que não poderia ter acontecido. É uma equipe médica que está ali na sala de cirurgia, como que todo mundo errou?”, desabafou ela.

A repercussão e a justificativa da equipe

O caso veio a público após a filha da paciente, Sabrina da Silva, compartilhar o ocorrido nas redes sociais. De acordo com o relato familiar, o médico responsável tentou transferir a responsabilidade pelo erro para a própria paciente, alegando que ela teria solicitado a mudança durante a sedação. “Ele me falou que a minha mãe, sedada, quando ela estava com sedação, ela foi muito insistente e ela quis mudar o joelho na hora ali. E segundo ele, isso é comum acontecer, e se o paciente quer trocar eles trocam ali na hora, não tem protocolo a seguir”, contou Sabrina. “Não é o paciente que deveria decidir isso, não são os familiares, é o médico, nesta hierarquia, ele é o responsável, ele que comanda a cirurgia”, disse em vídeo publicado nas redes sociais.

Diante da gravidade da situação, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou por meio de nota oficial que abriu uma sindicância para investigar a conduta dos profissionais envolvidos. O órgão destacou que as punições podem ir desde uma advertência confidencial até a cassação definitiva do registro profissional, dependendo do grau de culpabilidade apurado sob sigilo processual.

Por sua vez, a administração do Hospital Cruz Vermelha de Curitiba declarou que instaurou uma sindicância interna para analisar minuciosamente os registros assistenciais e as etapas do procedimento adotado. A instituição garantiu que segue prestando o suporte necessário e programando a continuidade do tratamento ortopédico para a paciente.

Por Redação Acontece AconteceIA

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