4 sinais de endometriose pouco considerados pelas mulheres

O longo caminho até a confirmação da endometriose é marcado por desafios e desencontros diagnósticos no Paraná. Dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) indicam que as pacientes levam de sete a 10 anos para obter o diagnóstico definitivo. O principal motivo para essa espera prolongada é a banalização de queixas que vão muito além do aparelho reprodutor feminino.

A complexidade da endometriose sistêmica

Por se tratar de uma enfermidade inflamatória sistêmica com manifestação predominantemente pélvica, o tecido semelhante ao endométrio pode se implantar em diferentes órgãos do corpo. Essa característica faz com que a mulher busque ajuda em urologistas, gastroenterologistas ou infectologistas, sem que a origem real das dores seja identificada inicialmente nos consultórios paranaenses.

Sintomas intestinais e urinários ignorados

Muitas pacientes observam que o funcionamento do intestino muda drasticamente nos dias que antecedem ou acompanham a menstruação. A presença de estufamento abdominal excessivo, conhecido como endobelly, além de diarreia, prisão de ventre, dor ao evacuar e tenesmo são fortes indicativos de endometriose intestinal. A inflamação provocada pelos focos aderidos à parede do reto faz com que o trânsito intestinal reaja às variações hormonais do ciclo.

Sintomas que simulam uma infecção urinária recorrente, como ardência ao urinar, peso na bexiga e aumento da frequência urinária, mas com exames de urina consistentemente negativos, acendem o alerta para o acometimento da via urinária. Focos da doença fixados na parede da bexiga reagem ao estímulo hormonal e inflamam durante a menstruação, exigindo atenção médica especializada no estado.

Dor na relação e fadiga crônica

A dor profunda durante ou após a relação sexual, conhecida como dispareunia, é frequentemente interpretada de forma equivocada como um problema psicológico ou falta de lubrificação. Na endometriose profunda, as lesões costumam se instalar nos ligamentos uterossagrais e no fundo de saco de Douglas. Com o impacto mecânico, essas áreas inflamadas sofrem tração, gerando uma dor em fisgada de forte intensidade que pode persistir por horas.

O cansaço extremo e a indisposição associados à condição diferem do esgotamento comum do dia a dia. Trata-se de um esgotamento físico e mental persistente que não melhora mesmo após um período adequado de sono. Esse sintoma é provocado pela resposta imune contínua do organismo, que tenta combater os focos inflamatórios espalhados pela pelve, liberando citocinas pró-inflamatórias que consomem a energia do corpo.

A identificação precoce dessas manifestações no Paraná exige uma investigação focada através do mapeamento pélvico avançado, geralmente realizado por ultrassom transvaginal com preparo intestinal. Quando o tratamento clínico já não controla os sintomas ou há comprometimento de órgãos vitais como o intestino e os ureteres, a intervenção cirúrgica torna-se necessária para a ressecção completa de todos os focos visíveis, preservando os tecidos saudáveis.

Por Redação Acontece

Créditos da imagem: Banco de imagens / Divulgação

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