Uma investigação conduzida no estado do Paraná traz à tona um caso impressionante de suposta coação psicológica e desvio financeiro bilionário, onde uma ex-funcionária afirma ter sido manipulada por líderes de um centro espiritual para desviar mais de R$ 17 milhões da empresa onde trabalhava.
O início da manipulação espiritual
Durante o período de isolamento social em 2020, enfrentando um quadro severo de depressão e sequelas da Covid-19, a vítima entrou em contato com o centro espiritual após visualizar propagandas nas redes sociais. Atendida inicialmente por uma médium que cobrou R$ 250 por uma consulta de tarô, ela ouviu que sua vida estava completamente bloqueada por feitiços.
Para anular a suposta energia negativa, os líderes exigiram pagamentos sucessivos que escalaram rapidamente. A pressão psicológica incluiu ameaças de morte a animais de estimação e tragédias familiares, além de privação de sono imposta através de rituais noturnos obrigatórios.
Desvios milionários e investigações
Com as economias esgotadas e sob forte pressão emocional, a mulher começou a desviar recursos da corporação onde atuava. Do montante total de R$ 17 milhões investigados por furto qualificado e fraude, pelo menos R$ 9,4 milhões foram repassados diretamente às contas ligadas aos dirigentes da clínica espiritual.
Mesmo após ser demitida por justa causa, a mulher continuou contraindo empréstimos para realizar novas transferências, totalizando mais de R$ 1 milhão pagos em menos de dois anos de supostos tratamentos mediúnicos e energéticos.
A defesa classificou o episódio como um verdadeiro sequestro emocional, argumentando que a cliente foi submetida a ameaças constantes e lavagem cerebral. Por outro lado, a representação jurídica da clínica nega veementemente todas as acusações de estelionato, sustentando que os serviços foram prestados de forma transparente e sem garantias de resultados milagrosos.
Por Redação Acontece
Imagem: Reprodução / Redes Sociais
