Salles justifica expressão "passar a boiada": "Ideia era desburocratizar"

O ex-ministro do Meio Ambiente e candidato ao Senado Ricardo Salles (Novo) afirmou que a famosa expressão “passar a boiada”, dita durante uma reunião ministerial em 22 de abril de 2020, tinha como único objetivo propor uma desburocratização geral nos ministérios do governo federal.

Justificativa sobre a desburocratização

Na época em que ocupava a pasta sob a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Salles sugeriu aproveitar a atenção da imprensa voltada para a pandemia de Covid-19 para avançar com alterações em normas ambientais. Em entrevista recente em São Paulo, o político argumentou que o país sufoca quem deseja empreender.

O Brasil é apontado por ele como um ambiente extremamente hostil para negócios, repleto de exigências burocráticas, licenças complexas e uma tributação considerada excessiva. O ex-ministro classificou a medida como um esforço necessário de modernização das leis e eliminação de entraves formais aos investimentos.

Controvérsias sobre o desmatamento na Amazônia

Contraponto ambiental e embate político

Durante o seu período à frente do Ministério do Meio Ambiente, os índices oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram aumentos expressivos na devastação da floresta amazônica. A área desmatada subiu de 7,5 mil km² em 2018 para mais de 10 mil km² em 2019, alcançando a marca de 13 mil km² em 2021.

Em contrapartida, a gestão da atual adversária de Salles na disputa ao Senado, Marina Silva, registrou quedas expressivas nos alertas de desmatamento, contabilizando 2,8 km² e apontando o menor patamar da série histórica iniciada em 2016. Salles, contudo, minimizou os dados da rival e criticou a atuação dela em relação ao saneamento básico, apontando o setor como o principal desafio ecológico do país.

Situação jurídica e investigações

Atualmente, o candidato é réu na Justiça sob a acusação de integrar um suposto esquema voltado a facilitar a exportação de madeira ilegal extraída da Amazônia. Salles nega veementemente as irregularidades e sustenta que as acusações de desmonte ambiental foram minuciosamente investigadas e descartadas pelo Poder Judiciário. Segundo ele, as denúncias tratavam-se de narrativas políticas impulsionadas pelo cenário de forte polarização contra a administração federal da época.

Planos para o futuro e eleições municipais

Caso não conquiste uma cadeira no Senado Federal, o ex-ministro pretende retomar integralmente a sua atuação na área da advocacia. No entanto, ele não esconde o desejo de disputar futuramente a Prefeitura de São Paulo. Salles fez duras críticas à atual gestão municipal comandada por Ricardo Nunes e afirmou que pretendia concorrer ao cargo executivo, demonstrando confiança em uma eventual vitória nas urnas contra seus adversários políticos na capital paulista.

Por Redação Acontece

Malu Lopes/Metrópoles

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