O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios iniciou uma apuração formal para investigar denúncias graves contra Maira Rocha, líder da Casa de Caridade Inácio Daniel, situada em Águas Claras. De acordo com dezenas de relatos enviados à ouvidoria do órgão, a dirigente espiritual é acusada de falsificar mensagens atribuídas a pessoas falecidas.
Investigação criminal e policial
A promotoria instaurou uma notícia de fato que já se encontra sob análise da Promotoria de Justiça Criminal. A confirmação foi repassada pelo próprio órgão ministerial, que avalia o teor das acusações sobre supostos crimes cometidos pela médium, cujo nome civil é Maíra Alexandrina.
Paralelamente, a Polícia Civil do Distrito Federal também atua no caso por meio de um inquérito policial instaurado na 11ª Delegacia de Polícia. As apurações iniciais concentram-se em ocorrências registradas na região do Núcleo Bandeirante, com desdobramentos em andamento para esclarecer a conduta da investigada.
Relatos de fraude em mensagens espíritas
Ex-frequentadores do centro espiritualista e pessoas enlutadas apontam que o material distribuído como psicografia apresenta inconsistências graves. Segundo os denunciantes, a fragilidade emocional decorrente da perda recente impede que os familiares percebam as falhas de imediato, revelando a má-fé apenas após uma análise mais cuidadosa.
As suspeitas indicam que o conteúdo das cartas seria extraído de postagens públicas em plataformas como Instagram e Facebook. Embora o atendimento na casa espírita seja gratuito e condicionado a permissões espirituais — onde os interessados deixam nomes em livros específicos —, frequentadores afirmam que o processo esconde uma coleta sistemática de dados pessoais.
Provas de cópia em redes sociais
Um dos casos relatados envolve um homem de 52 anos que recebeu um bilhete supostamente enviado por sua falecida mãe. Frases inteiras contidas no documento eram cópias exatas de publicações e comentários encontrados nas redes sociais da própria família, incluindo erros de contexto e menções a parentes inexistentes na linhagem direta.
As evidências coletadas mostram que a líder espiritual realizava varreduras em perfis abertos e comunidades virtuais para montar os recados. Trechos de postagens sobre formaturas, homenagens e características físicas foram integralmente reproduzidos nos textos entregues aos frequentadores como se fossem revelações do plano espiritual.
O caso segue sob escrutínio das autoridades competentes para determinar as responsabilidades legais da médium frente às denúncias apresentadas pelas famílias afetadas.
Por Redação Acontece
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