O período de estiagem severa, marcado por umidade relativa do ar abaixo dos 30% e altas temperaturas, tem castigado diversas regiões do país. No Distrito Federal, a combinação do clima seco com a vegetação característica do Cerrado transforma os meses de agosto e setembro em um cenário de alerta máximo para a proliferação de incêndios florestais.
Estatísticas alarmantes da Operação Verde Vivo
Os dados do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal evidenciam o agravamento da situação ao longo dos últimos meses. Foram registradas 554 ocorrências em junho e 1.096 em julho, enquanto apenas na primeira quinzena de agosto o número de chamados chegou a 1.012.
A gravidade do problema ficou evidente em um recente incêndio de grandes proporções no Parque do Tororó, que formou uma extensa barreira de chamas controlada apenas na madrugada. Somente no mesmo dia da ocorrência no parque, as equipes atenderam cerca de 84 chamados de queimadas em vegetação, antecipando semanas que historicamente concentram os maiores riscos da estação.
Fator humano e penalidades legais
Especialistas apontam que 95% dos focos de fogo são causados por ações humanas que poderiam ser evitadas. Práticas corriqueiras, como o descarte de bitucas de cigarro em áreas de mata ou a queima irregular de lixo e pastagem, são suficientes para desencadear tragédias ambientais de proporções incontroláveis.
Vale destacar que provocar queimadas é crime passível de multa e prisão, enquadrado na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). O artigo 41 estabelece pena de reclusão de dois a quatro anos e multa para quem incendiar qualquer forma de vegetação, ao passo que o artigo 54 penaliza a poluição causadora de danos à saúde e ao ecossistema.
Histórico de destruição ambiental
Grandes ocorrências registradas em anos anteriores demonstram o potencial destrutivo do fogo na região. Em setembro de 2019, o Parque Ecológico de Águas Claras perdeu mais de 5 mil metros quadrados de área, incluindo espécimes centenários de buritis com mais de 300 anos.
Já em agosto de 2020, um incêndio em Planaltina exigiu 72 horas de trabalho intenso de brigadistas e bombeiros, destruindo três residências, quatro propriedades rurais e aproximadamente 40 mil metros de plantações. Outro marco ocorreu em setembro de 2022, quando o Parque Nacional de Brasília teve uma área equivalente a 14 mil campos de futebol consumida pelas chamas, deixando um rastro de morte e desabrigo para a fauna silvestre.
Diante do cenário crítico, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém a região Centro-Oeste em constante estado de alerta devido à baixa umidade. O órgão reforça que o descarte de restos de poda e entulhos deve ocorrer exclusivamente em locais autorizados, sendo terminantemente proibida a queima. Denúncias sobre focos de incêndio ou crimes ambientais podem ser feitas anonimamente pelo telefone de emergência 193.
Por Redação Acontece
Foto: Divulgação/CBMDF
