A empresária e lobista Roberta Luchsinger enfrenta uma extensa lista de processos e dívidas por calotes na Justiça brasileira. O caso veio a público após investigações apontarem seu envolvimento em um suposto esquema de tráfico de influência em órgãos públicos ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos negam veementemente qualquer irregularidade nas acusações conduzidas pela Polícia Federal (PF).
Investigação da Polícia Federal De acordo com os investigadores, a dupla teria atuado em entendimentos de lobby para viabilizar contratos milionários, incluindo uma negociação de R$ 626 milhões com uma empresa ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, amplamente conhecido como Careca do INSS.
Histórico político e polêmicas familiares Luchsinger ganhou projeção nacional em 2017 ao declarar que criaria um fundo financeiro para apoiar o petista, que na época enfrentava bloqueio de bens determinado pelo então juiz Sergio Moro durante a Operação Lava-Jato. Naquela ocasião, ela chegou a anunciar uma transferência pessoal de R$ 500 mil. Posteriormente, em 2018, filiou-se ao PT para disputar uma vaga de deputada estadual em São Paulo, mas não obteve votos suficientes para se eleger.
A suposta origem nobre e a realidade A investigada costumava se apresentar publicamente como descendente direta e herdeira de um dos fundadores do banco suíço Credit Suisse. No entanto, registros civis oficiais desmentem a versão, revelando que seu avô, Pedro Paulo Arnaldo Luchsinger, nasceu no Rio de Janeiro em 1927 e atuava como dono de uma lavanderia. Questionada pela imprensa, a defesa da empresária não apresentou documentos capazes de comprovar a conexão com a instituição financeira europeia.
O calote milionário no projeto cinematográfico Entre os episódios financeiros mais graves revelados pelas investigações está o financiamento frustrado de um documentário sobre o designer automotivo Horacio Pagani, apresentado em 2016. O orçamento total da produção alcançava a cifra de US$ 4 milhões, quantia que seria injetada por um fundo internacional sediado no Bahrein.
Como as gravações começaram antes da liberação do dinheiro estrangeiro, a produção precisou de um empréstimo ponte no valor de US$ 300 mil. Para viabilizar a transação, a lobista convenceu um investidor a atuar como avalista, oferecendo como garantia real uma fazenda de sua propriedade situada no estado de Minas Gerais.
Perda de fazenda avaliada em milhões Como o aporte internacional nunca foi depositado, as parcelas do empréstimo bancário ficaram em aberto. O credor acionou a Justiça e acabou obtendo a posse definitiva da propriedade rural oferecida como garantia, um patrimônio estimado em R$ 8 milhões. O investidor afetado relatou ter perdido tudo o que possuía devido à quebra do acordo financeiro.
Condenações por prestadores de serviços e falsas obras de arte A relação de débitos inclui ainda calotes contra trabalhadores autônomos. Em 2011, um tapeceiro foi contratado para realizar reformas residenciais no valor de R$ 61 mil, mas recebeu apenas uma fração inicial. Após vencer todas as instâncias judiciais, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o prestador de serviços precisou vender o próprio carro para manter o negócio funcionando.
Para tentar quitar a dívida trabalhista, a empresária tentou utilizar uma coleção com 14 gravuras que seriam de autoria de Cândido Portinari, avaliadas por ela em R$ 70 mil. Contudo, entidades oficiais de autenticação comprovaram que o material consistia apenas em meras reproduções gráficas sem valor comercial artístico.
Outros processos e despejo por inadimplência O histórico de obrigações financeiras não cumpridas abrange mensalidades escolares atrasadas da filha, compras em lojas de vestuário, inadimplência com agência de publicidade e ações trabalhistas movidas por empregadas domésticas e babás.
Em 2019, a investigada mudou-se para um apartamento de alto padrão na capital paulista. Os donos do imóvel, um casal idoso que utilizava o aluguel como complemento de renda, ingressaram com uma ação de despejo em 2020. O proprietário faleceu durante o longo trâmite judicial sem ver a cor do dinheiro. O débito acumulado, que alcançou a marca de meio milhão de reais, só foi totalmente quitado em meados de 2024, resultando na desocupação forçada do local após quatro anos de litígio.
Procurada para prestar esclarecimentos sobre as acusações financeiras, a defesa optou por não conceder entrevistas, limitando-se a enviar uma relação de processos arquivados pelo Poder Judiciário e a alegar, sobre o caso da fazenda mineira, que o avalista conhecia os riscos inerentes à operação de crédito.
Por Redação Acontece
Foto: Reprodução / Redes Sociais
