As forças armadas dos Estados Unidos realizaram neste domingo um bombardeio contra dois lançadores de foguetes iranianos na Ilha de Larak, situada no estratégico Estreito de Ormuz. A ofensiva, confirmada pelo Comando Central americano (Centcom), marca a primeira ação militar direta contra o Irã em um mês e teve caráter pontual, sem configurar o retorno de bombardeios em larga escala. Em resposta, o governo de Teerã prometeu uma retaliação severa, elevando os riscos de uma nova escalada de confrontos na região.
Operação militar e rota do petróleo
O capitão Tim Hawkins, porta-voz do Centcom, explicou que tropas da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã foram flagradas preparando o lançamento de foguetes equipados com minas marítimas. O material seria espalhado nas águas da hidrovia, considerada vital para o escoamento global de petróleo e gás natural. Segundo o almirante Brad Cooper, chefe do comando militar, tropas americanas já haviam retirado arteceptos explosivos colocados anteriormente pelo regime iraniano na rota marítima até a semana anterior.
Reação de Teerã e consequências
Através da imprensa estatal, a Guarda Revolucionária declarou que a agressão sofrerá uma resposta firme e punitiva. A agência de notícias Tasnim divulgou que duas pessoas teriam falecido na ação, embora o dado não tenha sido confirmado de forma independente até o momento. O Pentágono preferiu não se manifestar imediatamente sobre as acusações de baixas locais.
Segurança para navios comerciais
Diante do cenário de hostilidades, a gestão do presidente Donald Trump tem orientado embarcações comerciais a realizarem a travessia com o suporte direto da Marinha dos EUA, que escolta os comboios pela rota sul do estreito, em águas pertencentes a Omã. O aparato militar americano na área, que inclui jatos da Força Aérea, navios de guerra e helicópteros do Exército, permanece em alerta máximo para neutralizar quaisquer ameaças iranianas ao tráfego mercante.
Histórico de conflitos no Estreito de Ormuz
A navegação na via continua extremamente arriscada. Nas últimas duas semanas, o conflito resultou na morte de dois marinheiros, além de um desaparecido. Desde o início das hostilidades, o Estreito registrou pelo menos 71 ataques a embarcações, acumulando 19 mortes de profissionais do setor.
Um frágil acordo assinado em junho entre Washington e Teerã previa a reabertura do canal, permitindo o trânsito de mais de 60 navios por dia em um período de três dias. Contudo, o pacto ruiu, levando os EUA a restabelecerem o bloqueio aos portos iranianos. Como alternativa, o Irã tentou instituir cobranças financeiras pela passagem na rota, que historicamente era gratuita, gerando desvios expressivos nas rotas de grandes empresas de transporte marítimo e forçando a Arábia Saudita a escoar maior volume de petróleo pelo Mar Vermelho.
A investida deste domingo encerra um período de calmaria que durava desde 29 de julho, data do último bombardeio em massa do Pentágono contra centros de comando, bases de drones, mísseis e radares dentro do território iraniano. Desde então, Washington havia priorizado a imposição de novas sanções econômicas contra Teerã, estratégia que agora dá lugar a novos confrontos armados diretos.
Por Redação Acontece
Imagem: Divulgação / Marinha dos EUA
