Porcelanas e louças que podem ter quase 200 anos são encontradas durante duplicação de rodovia no Paraná

Fragmentos de louças, porcelanas e vidros com estimativa de quase dois séculos de existência foram descobertos durante as intervenções de duplicação da BR-153, situada entre os municípios de Jacarezinho e Santo Antônio da Platina, no Norte do Paraná.

Vestígios históricos da rota do café

Especialistas apontam que os artefatos resgatados podem datar da década de 1860. A principal linha de investigação sugere que o trecho funcionava como um trajeto utilizado por viajantes em charretes que se dirigiam às recém-abertas zonas de cultivo de café paulistas.

Entre o final do século XIX e o começo do século XX, produtores rurais paulistas migraram para o território paranaense. O cultivo do grão se consolidou na região entre 1900 e 1945, expandindo-se até 1974. Na década de 1960, por exemplo, o Norte do Paraná respondia por impressionantes 51% de toda a produção mundial de café.

Cinco novos sítios arqueológicos identificados

No total, o projeto de melhoria viária resultou na identificação de cinco sítios arqueológicos na região. Os pedaços de louça e vidro foram localizados em quatro deles, especificamente nos quilômetros 7, 22 e 23. A descoberta ocorreu após diretrizes do Iphan, que determinou a obrigatoriedade de acompanhamento técnico especializado na área.

Segundo a gestão ambiental da rodovia, o órgão federal classificou a via como nível 3, exigindo monitoramento e supervisão arqueológica integral durante todas as etapas da duplicação.

Apesar das descobertas históricas, o cronograma das obras não sofreu interrupções. Nos trechos onde os vestígios foram isolados, a atuação das equipes é focada no resgate cuidadoso do patrimônio material.

Grafismos rupestres na Pedra Criminosa

O quinto ponto de interesse histórico fica na chamada Pedra Criminosa, uma formação geológica localizada às margens da rodovia em Jacarezinho.

No local, os pesquisadores identificaram grafismos rupestres que atualmente passam por exames detalhados. As autoridades ainda não divulgaram informações a fundo sobre a origem ou o significado dessas inscrições nas rochas.

Destino do material resgatado

Todo o acervo recuperado foi devidamente reportado ao Iphan. Após a fase inicial de coleta e inventário, os itens serão remetidos à Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Na instituição, os objetos passarão por procedimentos de higienização, triagem técnica e tombamento oficial. O estudo aprofundado desses vestígios promete trazer novas luzes sobre o processo de povoamento e desenvolvimento histórico do estado.

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