Obras de duplicação na BR-153, no norte paranaense, resultaram na descoberta de cinco sítios arqueológicos que prometem reescrever capítulos importantes da colonização local.
Vestígios do Ciclo do Café e da imigração
Conforme análises preliminares do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), os artefatos resgatados entre os municípios de Jacarezinho e Santo Antônio da Platina ajudam a documentar a chegada de migrantes e imigrantes estrangeiros.
O arqueólogo Filipe Coelho, responsável pelo salvamento arqueológico da concessionária EPR Litoral Pioneiro, aponta que os objetos podem datar de 1860. A suspeita é de que o trecho funcionasse como rota de trânsito entre o Paraná e São Paulo, utilizada por viajantes em charretes rumo às lavouras.
Monitoramento e preservação dos achados
O acompanhamento arqueológico foi exigido pelo Iphan desde o início das intervenções na rodovia. Graças a essa precaução, fragmentos de porcelana, vidro e louça foram salvos nos quilômetros 7, 22 e 23, sem que houvesse qualquer impacto no cronograma de duplicação da estrada.
Entre os pontos de destaque está a Pedra Criminosa, formação rochosa em Jacarezinho que abriga registros de grafismos rupestres. O Iphan planeja implementar um projeto de valorização turística e gestão do patrimônio no local, incluindo limpeza, registro fotográfico e sinalização educativa.
Destino do material histórico
Todo o acervo recolhido será enviado ao Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etnohistória (LAEE) da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Segundo a gestão de sustentabilidade da concessionária responsável pela rodovia, os itens passarán por etapas de triagem, higienização e tombamento oficial. A datação exata desses vestígios trará novas luzes sobre as dinâmicas de ocupação humana e o auge da cafeicultura paranaense.
