{"id":850,"date":"2021-10-15T17:12:19","date_gmt":"2021-10-15T20:12:19","guid":{"rendered":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/?p=850"},"modified":"2021-10-15T17:12:21","modified_gmt":"2021-10-15T20:12:21","slug":"pesquisadora-da-unila-fala-sobre-o-papel-da-mediacao-cultural-no-atendimento-a-refugiados-e-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/2021\/10\/15\/pesquisadora-da-unila-fala-sobre-o-papel-da-mediacao-cultural-no-atendimento-a-refugiados-e-imigrantes\/","title":{"rendered":"Pesquisadora da UNILA fala sobre o papel da media\u00e7\u00e3o cultural no atendimento a refugiados e imigrantes"},"content":{"rendered":"\n<p>A media\u00e7\u00e3o cultural vai al\u00e9m do desenvolvimento de atividades ligadas \u00e0 arte de modo geral, como somos levados a pensar. Ela pode \u2013 e deve \u2013 ser usada tamb\u00e9m em a\u00e7\u00f5es que envolvam o atendimento a imigrantes ou refugiados. \u201cA media\u00e7\u00e3o trata de trazer \u00e0 tona aquilo que n\u00e3o est\u00e1 vis\u00edvel porque temos culturas diferentes, temos trajet\u00f3rias de vida diferentes. O que \u00e9 \u00f3bvio para mim n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio para outra pessoa\u201d, diz a professora do curso de Letras &#8211; Artes e Media\u00e7\u00e3o Cultural da UNILA Diana Ara\u00fajo Pereira. No caso de refugiados ou imigrantes, nem sempre falar a mesma l\u00edngua significa que a pessoa esteja sendo compreendida ou compreendendo determinadas situa\u00e7\u00f5es. \u201cQuando a gente fala de media\u00e7\u00e3o cultural, a gente est\u00e1 falando de uma tradu\u00e7\u00e3o cultural, n\u00e3o \u00e9 somente a troca de uma l\u00edngua por outra. \u00c9 muito mais profundo que isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A media\u00e7\u00e3o \u2013 cultural, comunit\u00e1ria, social, de conflito \u2013 exige saber dialogar com o outro e, por isso, a profissionaliza\u00e7\u00e3o dessa atividade \u00e9 cada vez mais importante, diz a docente. \u201c\u00c9 um campo profissional que exige uma habilidade social, a de comunicar, de construir di\u00e1logo, porque a comunica\u00e7\u00e3o nesse caso n\u00e3o funciona s\u00f3 com dar informa\u00e7\u00e3o. A comunica\u00e7\u00e3o para media\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser linear. \u00c9 muito mais complexo do que isso. Precisa ser um processo comunicacional circular onde quem tem a informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m seja capaz de escutar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Diana lembra que o grande n\u00famero de imigrantes e refugiados no mundo exige a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. A professora cita dados do Acnur, organismo da ONU para refugiados, segundo o qual, desde 2018, mais de 5 milh\u00f5es de pessoas deixaram a Venezuela \u2013 desses, 270 mil vieram para o Brasil \u2013 e do Comit\u00ea Nacional para os Refugiados (Conare), que recebeu pedido de ref\u00fagio de pessoas de 129 pa\u00edses. \u201cEssa realidade est\u00e1 a\u00ed e precisa ser tratada com pol\u00edticas p\u00fablicas que tornem a media\u00e7\u00e3o cultural parte do processo de constru\u00e7\u00e3o da sociabilidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, o Acnur estimava o n\u00famero de refugiados em 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial, ou 82 milh\u00f5es de pessoas. \u201cIsso significa uma altera\u00e7\u00e3o muito r\u00e1pida da conviv\u00eancia, da coexist\u00eancia, do sentido de comunidade. Precisamos pensar sobre isso, precisamos buscar abordar essa situa\u00e7\u00e3o com \u00eanfase na diversidade\u201d, diz a docente, ressalvando que essa \u00eanfase deve evitar o isolamento de grupos que s\u00f3 se comunicam entre si. \u201cPrecisamos criar rela\u00e7\u00f5es entre as diferen\u00e7as\u201d, avalia. \u201cE a media\u00e7\u00e3o pode fazer esse papel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do di\u00e1logo, ou da comunica\u00e7\u00e3o circular, a pesquisadora tamb\u00e9m cita a empatia como uma caracter\u00edstica da atividade. \u201cA media\u00e7\u00e3o cultural como pol\u00edtica p\u00fablica pode trabalhar em fun\u00e7\u00e3o da empatia. Existem pessoas que j\u00e1 t\u00eam isso de forma inata, mas a empatia tamb\u00e9m pode ser pensada como uma habilidade que precisa ser desenvolvida\u201d, afirma. \u201cPrecisamos trabalhar a media\u00e7\u00e3o como pol\u00edtica p\u00fablica em m\u00e3o dupla. Precisamos conseguir acolher, proteger e fortalecer a humanidade dessa pessoa que chega como refugiado na nossa comunidade, mas tamb\u00e9m precisamos trabalhar para que essa comunidade tenha condi\u00e7\u00f5es de receber essa pessoa que chega como refugiado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei de Imigra\u00e7\u00e3o, de 2017, diz a docente, \u00e9 considerada uma das mais avan\u00e7adas do mundo. Entre outros pontos, a legisla\u00e7\u00e3o garante ao imigrante a igualdade de acesso a direitos e liberdades civis, sociais, culturais e econ\u00f4micas. \u201cMas o que a gente v\u00ea, de uns anos para c\u00e1, \u00e9 um grande desmantelamento das nossas pol\u00edticas p\u00fablicas j\u00e1 vigentes\u201d, diz. \u201cTemos uma lei de migra\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel, mas um contexto pol\u00edtico desfavor\u00e1vel\u201d, lamenta. Para ela, \u00e9 necess\u00e1rio haver um trabalho de media\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nas institui\u00e7\u00f5es brasileiras, que t\u00eam uma cultura oposta \u00e0 abertura que a Lei de Imigra\u00e7\u00e3o prop\u00f5e. \u201cA xenofobia e o preconceito aparecem com o aumento do fluxo migrat\u00f3rio. A gente precisa deixar aquela mentalidade de expuls\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o para chegar a uma outra mentalidade, minimamente de coexist\u00eancia respeitosa e, quem sabe ainda com mais esperan\u00e7a, de conviv\u00eancia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A media\u00e7\u00e3o cultural, diz a docente, n\u00e3o deve ser encarada como um trabalho volunt\u00e1rio, muitas vezes desenvolvido por imigrantes com pessoas de seu pa\u00eds. \u201cEsse \u00e9 um campo profissional que precisa se desenvolver. Precisamos formar pessoas com essa capacidade, com essas habilidades sociais, e n\u00e3o esperar que de um determinado grupo haja algu\u00e9m com uma aptid\u00e3o natural para esse processo. Precisamos ter bons mediadores que consigam ter a capacidade de construir di\u00e1logo, de construir comunica\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tr\u00edplice Fronteira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o da Tr\u00edplice Fronteira, com seu intenso fluxo migrat\u00f3rio, diz a docente, exige a\u00e7\u00f5es de media\u00e7\u00e3o cultural que j\u00e1 v\u00eam sendo desenvolvidas, mas que est\u00e3o sendo ampliadas por meio de conv\u00eanios e parcerias. \u201cPara mim, a UNILA \u00e9 um grande projeto de media\u00e7\u00e3o cultural que foi colocado nesta regi\u00e3o trinacional justamente porque aqui \u00e9 um entroncamento importante de geopol\u00edtica, da economia, mas tamb\u00e9m da conviv\u00eancia cultural que podemos ter no continente\u201d, ressalta, lembrando que a cria\u00e7\u00e3o da Universidade proporcionou a vinda de pessoas de 32 novas nacionalidades para a cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A Universidade oferece, desde 2011, o curso de Letras &#8211; Artes e Media\u00e7\u00e3o Cultural, que deve passar em breve pela reformula\u00e7\u00e3o de seu projeto pedag\u00f3gico para que a media\u00e7\u00e3o cultural passe a ser predominante. \u201cO mundo est\u00e1 mudando, e essa mudan\u00e7a demanda a constru\u00e7\u00e3o de profissionais que consigam lidar com essas mudan\u00e7as. A media\u00e7\u00e3o vem nesse caminho, e o curso tamb\u00e9m vem nesse processo. Pouco a pouco a media\u00e7\u00e3o cultural vai se tornando priorit\u00e1ria no curso. Estamos num processo de transi\u00e7\u00e3o, e o curso passar\u00e1 a se chamar Media\u00e7\u00e3o, Artes e Letras, justamente para a gente mostrar e publicizar que a media\u00e7\u00e3o cultural passe a ser a inten\u00e7\u00e3o principal.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A entrevista completa da professora Diana Ara\u00fajo Pereira est\u00e1 dispon\u00edvel no canal da UNILA no YouTube (https:\/\/bit.ly\/unila_mediacao)<\/p>\n\n\n\n<p>via UNILA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A media\u00e7\u00e3o cultural vai al\u00e9m do desenvolvimento de atividades ligadas \u00e0 arte de modo geral, como somos levados a pensar. 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