{"id":46478,"date":"2026-10-19T13:26:46","date_gmt":"2026-10-19T16:26:46","guid":{"rendered":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/?p=46478"},"modified":"2026-10-19T13:26:46","modified_gmt":"2026-10-19T16:26:46","slug":"bale-teatro-guaira-estreia-espetaculo-que-une-memoria-coletividade-e-danca-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/2026\/10\/19\/bale-teatro-guaira-estreia-espetaculo-que-une-memoria-coletividade-e-danca-contemporanea\/","title":{"rendered":"Bal\u00e9 Teatro Gua\u00edra estreia Templo Provis\u00f3rio em Curitiba"},"content":{"rendered":"<p>O <strong>Bal\u00e9 Teatro Gua\u00edra<\/strong> (BTG) estreia em Curitiba, nos dias 14 e 15 de novembro, Templo Provis\u00f3rio, nova cria\u00e7\u00e3o do premiado core\u00f3grafo brasileiro radicado na Su\u00ed\u00e7a, <strong>Lucas Valente<\/strong>. A obra integra o programa duplo <strong>Cartografia da Mem\u00f3ria<\/strong>, que divide a noite com STOL \u2013 uma quest\u00e3o de confian\u00e7a, de Alessandro Sousa Pereira, j\u00e1 apresentado pela companhia. As sess\u00f5es acontecem no Guair\u00e3o e os ingressos a pre\u00e7os populares est\u00e3o \u00e0 venda pelo DiskIngressos e na bilheteria do teatro.<\/p>\n<h2>A inspira\u00e7\u00e3o na dan\u00e7a p\u00f3s-moderna<\/h2>\n<p>Inspirado na trajet\u00f3ria e no legado da core\u00f3grafa, bailarina, cineasta e escritora norte-americana <strong>Yvonne Rainer<\/strong>, um dos nomes fundamentais da dan\u00e7a p\u00f3s-moderna, Templo Provis\u00f3rio investiga como gestos cotidianos e objetos comuns podem ganhar dimens\u00e3o extraordin\u00e1ria quando compartilhados por um grupo. A cria\u00e7\u00e3o re\u00fane 23 bailarinos e utiliza 22 colch\u00f5es em cena, compondo uma experi\u00eancia que transita entre a simplicidade dos movimentos, a pot\u00eancia visual do conjunto e a magia do espet\u00e1culo teatral.<\/p>\n<p>A nova coreografia tamb\u00e9m marca um encontro entre diferentes tempos da dan\u00e7a. Valente parte de refer\u00eancias hist\u00f3ricas para elaborar uma cria\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, em di\u00e1logo com a mem\u00f3ria, o trabalho coletivo e as possibilidades expressivas do elenco do BTG. Templo Provis\u00f3rio integra um momento de destaque na trajet\u00f3ria do core\u00f3grafo, que recebeu, em 2026, o Tanznetz Critics\u2019 Award de Melhor Coreografia da temporada 2025\/26 por Bare, criada para o Ballett Z\u00fcrich, na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>Valente iniciou sua forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica no Brasil, com estudos em teatro, circo, bal\u00e9, t\u00e9cnica Graham e jazz. Tamb\u00e9m cursou Dire\u00e7\u00e3o Teatral e Filosofia na <strong>Universidade de S\u00e3o Paulo<\/strong> (USP) e desenvolveu uma carreira de 15 anos como bailarino profissional, com passagens por companhias e projetos no Brasil e no exterior, incluindo a S\u00e3o Paulo Companhia de Dan\u00e7a e o Ballett Z\u00fcrich. Como core\u00f3grafo, criou obras para institui\u00e7\u00f5es da Europa, \u00c1sia e Am\u00e9ricas. Em 2022, recebeu o primeiro pr\u00eamio no Biarritz Choreographic Competition.<\/p>\n<h2>Do cotidiano ao extraordin\u00e1rio<\/h2>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o para Templo Provis\u00f3rio vem de Parts of Some Sextets, obra criada por Yvonne Rainer em 1965. A pe\u00e7a original, concebida para dez bailarinos e 12 colch\u00f5es, n\u00e3o foi filmada e acabou se perdendo no tempo. Em 2019, foi remontada pela core\u00f3grafa e pesquisadora Emily Coates a partir de fotografias, documentos e mem\u00f3rias de pessoas que participaram da cria\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p>O processo de recupera\u00e7\u00e3o chamou a aten\u00e7\u00e3o de Valente, tanto pelo impacto visual das imagens quanto pela transforma\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria revisitada. Em sua cria\u00e7\u00e3o para o BTG, o core\u00f3grafo desenvolveu uma reinterpreta\u00e7\u00e3o com suas refer\u00eancias est\u00e9ticas e conceituais. Um dos elementos centrais dessa aproxima\u00e7\u00e3o est\u00e1 nos chamados \u201cgestos pedestres\u201d: movimentos simples, cotidianos e acess\u00edveis, como sentar, levantar, arrastar e empilhar.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo sintetiza essa proposta. Para Valente, a ideia de templo est\u00e1 relacionada \u00e0 capacidade de um grupo de atribuir valor a um espa\u00e7o ou objeto. O que \u00e9 considerado sagrado depende mais da aten\u00e7\u00e3o e do significado que as pessoas constroem do que do seu material. J\u00e1 a no\u00e7\u00e3o de provisoriedade remete \u00e0 natureza ef\u00eamera da dan\u00e7a: cada apresenta\u00e7\u00e3o acontece uma \u00fanica vez, mesmo quando a coreografia \u00e9 repetida.<\/p>\n<p>\u201cComo um coletivo, temos o poder de transformar algo que \u00e9 banal, algo que \u00e9 ordin\u00e1rio, em algo extraordin\u00e1rio\u201d, resume o core\u00f3grafo.<\/p>\n<p>No palco, os colch\u00f5es tornam-se mat\u00e9ria para essa constru\u00e7\u00e3o coletiva. Os bailarinos deslocam, empilham e reorganizam os objetos, criando e desfazendo configura\u00e7\u00f5es. O ambiente que surge diante do p\u00fablico \u00e9 tempor\u00e1rio: nasce durante a apresenta\u00e7\u00e3o e desaparece ao final, como um templo constru\u00eddo pela colabora\u00e7\u00e3o dos int\u00e9rpretes.<\/p>\n<p>Valente tamb\u00e9m prop\u00f5e um jogo entre dan\u00e7a e teatro. \u201c\u00c9 uma colabora\u00e7\u00e3o intensa. Voc\u00ea consegue ver a minha obra, mas tamb\u00e9m consegue ver a obra dos bailarinos\u201d, afirma o core\u00f3grafo. Segundo ele, o processo de cria\u00e7\u00e3o foi compartilhado com o elenco, o que fez com que as ideias iniciais ganhassem novos rumos.<\/p>\n<h2>Mem\u00f3ria e identidade no palco do Guair\u00e3o<\/h2>\n<p>O programa Cartografia da Mem\u00f3ria re\u00fane duas obras que, por caminhos diferentes, investigam as rela\u00e7\u00f5es entre os corpos, os objetos e o mundo que constru\u00edmos.<\/p>\n<p>Para <strong>Marcelo Dami\u00e1n Zamora<\/strong>, diretor do Bal\u00e9 Teatro Gua\u00edra, que assumiu a fun\u00e7\u00e3o em julho de 2026, o programa representa aspectos importantes da identidade art\u00edstica da companhia. \u201c\u00c9 muito representativo do pensamento impl\u00edcito artisticamente na companhia, de valoriza\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria, de resgate da mem\u00f3ria, de mostrar toda a pot\u00eancia do elenco de bailarinos, um elenco premiado, e tamb\u00e9m de estabelecer fontes bastante claras e diretas de comunica\u00e7\u00e3o com a plateia\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A noite tamb\u00e9m ter\u00e1 STOL \u2013 uma quest\u00e3o de confian\u00e7a, cria\u00e7\u00e3o de 2025 de <strong>Alessandro Sousa Pereira<\/strong>, que teve estreia simult\u00e2nea na Dinamarca e no Brasil. A obra investiga as tens\u00f5es entre natureza e cultura, o org\u00e2nico e o mundo constru\u00eddo pelo ser humano. Em dinamarqu\u00eas, stol significa \u201ccadeira\u201d, mas tamb\u00e9m remete \u00e0 ideia de confian\u00e7a. A dupla interpreta\u00e7\u00e3o orienta a coreografia, na qual a cadeira representa a produ\u00e7\u00e3o humana, a ind\u00fastria e a t\u00e9cnica, enquanto os bailarinos evocam o que permanece org\u00e2nico, em uma rela\u00e7\u00e3o marcada por aproxima\u00e7\u00f5es, conflitos e transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na montagem, os bailarinos interagem com os objetos em movimentos que alternam intensidade, agressividade e calma. A trilha sonora utiliza o Bolero, de Maurice Ravel, cuja repeti\u00e7\u00e3o contribui para a constru\u00e7\u00e3o de uma din\u00e2mica crescente. O figurino inclui m\u00e1scaras que cobrem os rostos dos bailarinos, refor\u00e7ando a simbologia da composi\u00e7\u00e3o. Pereira prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre a possibilidade de conviv\u00eancia de dois mundos opostos. A cria\u00e7\u00e3o questiona o distanciamento com que a sociedade observa as transforma\u00e7\u00f5es ambientais e as crises provocadas pela pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o humana, sem deixar de reconhecer que a t\u00e9cnica e a ind\u00fastria tamb\u00e9m podem contribuir para a preserva\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p>\n<p>Artista brasileiro radicado na Dinamarca, Pereira tem uma trajet\u00f3ria que inclui trabalhos como bailarino e core\u00f3grafo em companhias da Europa e do Brasil. O artista integrou o Danish Dance Theatre por mais de 13 anos e criou obras para companhias de diferentes pa\u00edses. Tamb\u00e9m assina Castelo, que integra o repert\u00f3rio do BTG. Em Cartografia da Mem\u00f3ria, as duas coreografias oferecem perspectivas complementares sobre a rela\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos e aquilo que constroem em conjunto: de um lado, a transforma\u00e7\u00e3o do banal em extraordin\u00e1rio pela for\u00e7a do coletivo; de outro, o desafio de restabelecer a confian\u00e7a entre a humanidade e a natureza.<\/p>\n<h2>Circula\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo no Paran\u00e1<\/h2>\n<p>Depois da temporada em Curitiba, o Bal\u00e9 Teatro Gua\u00edra leva Cartografia da Mem\u00f3ria a Goi\u00e2nia (GO), onde participa da 9\u00aa Mostra Girodan\u00e7a, no dia 21 de novembro, \u00e0s 20h, no Teatro Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo tamb\u00e9m chega a <strong>Cascavel<\/strong>, no oeste do <strong>Paran\u00e1<\/strong>, com apresenta\u00e7\u00f5es gratuitas nos dias 29 e 30 de novembro, como parte das comemora\u00e7\u00f5es do anivers\u00e1rio do munic\u00edpio. No dia 29, \u00e0s 18h, a sess\u00e3o ser\u00e1 aberta ao p\u00fablico geral. No dia 30, \u00e0s 10h, a apresenta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 destinada a estudantes de escolas p\u00fablicas e pessoas atendidas por entidades sociais, com passagens pelo <strong>Teatro Municipal Sefrin Filho<\/strong>.<\/p>\n<p>Por Reda\u00e7\u00e3o Acontece<\/p>\n<p>AconteceIA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova montagem assinada por Lucas Valente integra o programa duplo Cartografia da Mem\u00f3ria no palco do Guair\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":46481,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-46478","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-parana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46478","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46478"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46478\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46482,"href":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46478\/revisions\/46482"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46481"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}