{"id":15942,"date":"2023-04-07T15:58:38","date_gmt":"2023-04-07T18:58:38","guid":{"rendered":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/?p=15942"},"modified":"2023-04-07T15:58:39","modified_gmt":"2023-04-07T18:58:39","slug":"aluna-da-rede-estadual-escreve-livro-sobre-bullying-e-da-voz-a-batalha-silenciosa-de-inumeros-estudantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acontecenafronteira.com.br\/index.php\/2023\/04\/07\/aluna-da-rede-estadual-escreve-livro-sobre-bullying-e-da-voz-a-batalha-silenciosa-de-inumeros-estudantes\/","title":{"rendered":"Aluna da rede estadual escreve livro sobre bullying e d\u00e1 voz \u00e0 batalha silenciosa de in\u00fameros estudantes"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>A\u00e7\u00f5es e comportamentos agressivos, feitos de forma constante a uma pessoa ou grupo. Situa\u00e7\u00e3o que causa muito sofrimento e acontece, ainda com muita frequ\u00eancia, nas escolas. <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Termo bastante conhecido, o bullying humilha, intimida e traumatiza suas v\u00edtimas, podendo trazer consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas profundas como depress\u00e3o e dist\u00farbios comportamentais. Dia 7 de abril \u00e9 o Dia Nacional de Combate ao Bullying e \u00e0 Viol\u00eancia na Escola e uma aluna da rede estadual de ensino encontrou motiva\u00e7\u00e3o\u00a0para ajudar colegas e demais estudantes que passam pela mesma situa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu sofria calada\u201d, relembra Ariane Emanuele Sztaler, de 14 anos.&nbsp;Ent\u00e3o aluna do ensino fundamental no Col\u00e9gio Estadual C\u00edvico-Militar Anita Garibaldi, em Jardim Alegre, no centro do estado, a jovem passava por maus bocados na escola. T\u00edmida, a estudante de personalidade retra\u00edda e discreta era alvo de chacota dos colegas, justamente por esses motivos. \u201cN\u00e3o me deixavam em paz. Primeiro ca\u00e7oavam de mim por eu ser t\u00edmida. Depois come\u00e7aram a falar do meu cabelo, do meu corpo, da minha cor. Eu n\u00e3o retrucava, fingia que n\u00e3o estava ligando, mas quando chegava em casa eu desabava\u201d, revela. O supl\u00edcio se arrastou por anos, sem que Ariane percebesse o quanto sua sa\u00fade mental estava enfraquecida por conta do bullying. \u201cEu me sentia desanimada em ir \u00e0 escola. N\u00e3o tinha motiva\u00e7\u00e3o para sair de casa e queria interagir cada vez menos\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Espectadora do sofrimento da filha, Eliane Sztaler, de 49 anos e tamb\u00e9m professora (da rede municipal), sugeriu ent\u00e3o \u2013 no in\u00edcio de 2022 \u2013 que a jovem come\u00e7asse a escrever sobre o que sentia. \u201cEra dif\u00edcil saber o que ela passava. Eu ficava de m\u00e3os atadas mas tentava aconselh\u00e1-la. Uma solu\u00e7\u00e3o que imaginei foi que ela passasse tudo para o papel, como forma de aliviar um pouco a tristeza\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>O conselho virou projeto. \u201cEnquanto eu escrevia sobre mim, comecei a lembrar de outros colegas v\u00edtimas de bullying e imaginei quantos mais n\u00e3o estariam sofrendo calados, como eu\u201d, lembra Ariane. Com a ajuda de Eliane, a estudante reuniu alguns alunos que estavam dispostos a colaborar com seus depoimentos. Com a autoriza\u00e7\u00e3o das diretorias de algumas escolas do munic\u00edpio, Ariane distribuiu question\u00e1rios para cerca de 300 alunos, com idades entre 12 e 16 anos e, por meio da pesquisa, coletou dados que serviram como base para que o perfil das v\u00edtimas de bullying, bem como as principais formas de ataque dos agressores, fossem tra\u00e7ados. \u201cPor meio do levantamento, observamos que as v\u00edtimas s\u00e3o predominantemente alunos pardos ou obesos, por exemplo\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 idade, a pesquisa apontou que a principal faixa et\u00e1ria alvo do bullying \u00e9 de 9 a 11 anos e que quase 60% dos estudantes matriculados tinham sofrido algum tipo de agress\u00e3o. \u201cO problema \u00e9 muito mais grave do que aparenta e, hoje, ultrapassa as paredes da escola e invade a vida pessoal, por meio da Internet e das redes sociais\u201d, afirma Lourival de Ara\u00fajo Filho, coordenador de Direitos Humanos da Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1. Ainda segundo o especialista, a quest\u00e3o \u00e9 um problema que n\u00e3o se resolve sozinho. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201c\u00c9 preciso recorrer a um adulto, profissional, professor ou colega. O problema \u00e9 que a muitos falta coragem. Por isso, materiais que conscientizem sobre o bullying numa linguagem pr\u00f3xima dos jovens, seja online, em plataformas de v\u00eddeo, redes sociais, sites e livros &#8211; como o de Ariane &#8211; desempenham papel importante no combate a essa viol\u00eancia\u201d, ressalta.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Depois de 6 meses de intenso trabalho, o resultado final veio em novembro do ano passado. Reunindo em 102 p\u00e1ginas dados, legisla\u00e7\u00e3o e testemunhas (contados por meio de hist\u00f3rias em quadrinhos) o livro intitulado \u201cBullying: caia fora dessa\u201d foi publicado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cPara o lan\u00e7amento, fizemos uma tarde de aut\u00f3grafos na escola e um caf\u00e9 especial. Foi um evento muito importante porque foi mais uma prova para toda a comunidade escolar de que o bullying n\u00e3o pode ser tolerado e que as v\u00edtimas est\u00e3o come\u00e7ando a falar\u201d, afirma Maristella Aparecida Scaramal Caetano, diretora do Col\u00e9gio Estadual C\u00edvico-Militar Anita Garibaldi.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p> A diretora explica ainda que, antes do lan\u00e7amento do livro, palestras junto \u00e0 Patrulha Escolar, conversas e abordagens em sala de aula j\u00e1 eram feitas para conscientizar os alunos. O livro, ent\u00e3o, veio a contribuir ainda mais para o combate \u00e0 viol\u00eancia em sala.<\/p>\n\n\n\n<p>Com dezenas de exemplares vendidos, o material j\u00e1 cumpre o objetivo pelo qual foi concebido. \u201cDepois do lan\u00e7amento do livro, muita gente come\u00e7ou a me abordar para desabafar e falar sobre o problema. Somente na escola onde trabalho, cerca de 40 alunos me procuraram para abrir o cora\u00e7\u00e3o\u201d, conta Eliane. O mesmo acontece com Ariane. \u201cDepois que o material come\u00e7ou a circular, parece que as pessoas se sentiram validadas e entenderam que suas vozes devem ser ouvidas. Tenho colegas que me procuram para conversar e falar sobre o que passam. Juntos, estamos entendendo que o bullying fala muito mais sobre quem pratica do que sobre a v\u00edtima e que n\u00f3s n\u00e3o devemos ficar calados\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p>DIA NACIONAL \u2014 O dia 7 de abril foi institu\u00eddo como Dia Nacional de Combate ao Bullying e \u00e0 Viol\u00eancia na Escola pela Lei Federal 13.277\/16. A medida determina pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas que envolvam as institui\u00e7\u00f5es de ensino no debate do combate ao bullying e \u00e0 viol\u00eancia escolar no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>No Paran\u00e1, foi institu\u00edda a Lei n\u00ba 17. 335, de 10 de outubro de 2012, que fortalece o combate ao bullying nas escolas p\u00fablicas e privadas do estado. A lei estadual \u00e9 similar \u00e0 federal, trazendo mudan\u00e7as quanto \u00e0s compet\u00eancias das institui\u00e7\u00f5es de ensino e a elabora\u00e7\u00e3o de um plano de a\u00e7\u00e3o com medidas preventivas ao bullying.<\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Ariane Emanuele\/Arquivo pessoal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00e7\u00f5es e comportamentos agressivos, feitos de forma constante a uma pessoa ou grupo. Situa\u00e7\u00e3o que causa muito sofrimento e acontece, ainda com muita frequ\u00eancia, nas escolas. Termo bastante conhecido, o bullying humilha, intimida e traumatiza suas v\u00edtimas, podendo trazer consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas profundas como depress\u00e3o e dist\u00farbios comportamentais. 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